O 25 de Abril não é para todos.
Se calhar é por esta comunhão de pontos que cada vez o Povo vota menos e cada vez irá votar menos. Os políticos não visionam e o Povo é diferente nos seus objetivos e necessidades. Se calhar, o 25 de Abril já não é dos Portugueses.
“Apesar da polémica, que preencheu mais as redes sociais do que as intervenções dos principais partidos, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e os maiores partidos portugueses decidiram levar a sessão por diante, acertando os pormenores de logística com a Direção-Geral da Saúde”.
Por insistência de alguns decisores que esquecem que ‘o que mais destrói a criatividade da pessoa é o seu senso de ridículo’ iremos assistir a uma triste novela do poder político: a consagração do 25 de Abril (porque eu quero, ao estilo do inovador Marquês de Pombal). Embora esta conclusão possa parecer muito musculada é exercida na grande casa da democracia, a Assembleia da República.
“O próprio parlamento tomou todas as medidas necessárias e suficientes para cumprir as regras que estão estabelecidas para eventos deste tipo", afirmou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, tendo ainda salientado que o plano de contingência para a covid-19 da Assembleia da República inclui "todas as condições que permitem assegurar a cerimónia com a dignidade que esta merece e, obviamente, cumprindo regras de segurança e de controlo de infeção e distanciamento social".
Os fatos que levam a situações como a presente – o COVID-19 – são fatos, ou seja, a democracia não se aplica. Eles, os fatos, existem e não perguntam nada a ninguém. Não se aplicando os fatos aos políticos nem os políticos aos fatos, aqui estamos nós numa situação menos má porque foram os Portugueses – por antecipação - a obrigar os políticos a actuar. E estes profissionais, porque essa é a sua especialidade, aproveitaram-se desta boa desgraça para se promoverem. A plebe gosta e eles, coitados, aproveitam.
É uma teimosia escrever ou manifestar indiferentes pensamentos sobre a ética, o pensamento, a atitude e o iluminismo dos políticos nacionais: ou são muito bons na incompetência e na patetice ou não entende nada do momento de crise que levou os Portugueses à clausura.
A qualidade da casa grande da democracia foi criticada por Eça de Queiroz e sendo nós mais simples, visualizamos e colocamos também a hipótese de Camilo Castelo Branco nos dias em que escrevia “A Queda de um Anjo” sobre a atualidade no seu tempo conseguindo ser mais ecuménico hoje do que na época. A grande diferença, Camilo, é que o fidalgo que veio da província pagou muito dinheiro para viver na capital Lisboa com os lisboetas, e os nossos “aristocratas de hoje” são magnanimamente pagos para viver na mesma cidade sem os lisboetas.
Todos os dirigentes nacionais foram indicados pelo poder do voto e são, durante a validade do voto, propriedade da Nação: eles representam os votos enquanto os votos forem válidos e quando terminado o mandato são indicados outros dirigentes que desde a instauração da democracia coincidem com a expressão “mais do mesmo” por serem os mesmos. Mas os mesmos devem recolher-se na coragem, na resistência e na humildade que o momento exige: vivemos uma crise de saúde pública muito grave, abrandem e não sejam o mau exemplo para a sociedade nacional.
E 25 de Abril após 25 de Abril sempre no país, onde democraticamente existem mais privilégios para os poucos que são eles e muitos impostos que nos retornam à condição de muito pobres que somos todos os que não são como eles, diz quem é do povo.
“De resto os da política são como o povo: existem alguns da política que estão presos, mas esses são os políticos dispensáveis. E o povo, esse é sempre dispensável, porque é despesa sempre”.
Veja-se o exemplo e história dos grandes incêndios em Portugal de 2017, houve algum ‘líder nacional eleito’ acusado de alguma coisa ou houve alguma consequência política? Houve alguma ação mas por respeito aos “enfadados” meios de comunicação estrangeiros que deram voz ao inferno que por aqui se viveu.
Já os nossos não se metem nesses caminhos apertados por não ser “o objetivo e âmbito do grupo financeiro”. Algum jornalista mais resistente terá de procurar melhor sorte noutro país e já agora que seja um país que insista na quimera de que nós somos sempre os melhores – melhores alunos da Europa, melhores no turismo, melhores no futebol, os melhores do COVID-19, etc.
Pelo que foram concebidas duas diligências: uma orientada para a multidão e uma outra para a “malta da política”. Assim, as gentes do povo foram consideradas culpadas e foram entre eles encontrados os culpados pela implosão do Sistema: os Bombeiros que são do povo, a Proteção Civil que é para o Povo. Os Polícias e Guardas livraram-se e não foram culpados por motivo de esquecimento; e as comunicações não funcionaram porque não havia nada a dizer.
Pensamos nós que aconteceu a implosão do Sistema Nacional de Proteção Civil e que ocorreu no nível e categoria que nunca se mexeu ou apareceu. O processo de ‘ordem na casa’ foi iniciado só depois das férias de uns e de outros e trabalhou-se muito para aprimorar legislação que permita dirigir com mais clareza e afinco o dedo da culpa que nunca mais será da política.
Se calhar é por esta comunhão de pontos que cada vez o Povo vota menos e cada vez irá votar menos. Os políticos já não visionam e o Povo é diferente nos objetivos e necessidades. Se calhar, o 25 de Abril já não é dos Portugueses.
Com a história do COVID obviamente ultrapassada por um “milagre português”, agora vem aí a crise financeira. Esta será atrapalhada pelos Portugueses que vão sair de casa (se uns poucos podem celebrar o 25 então o povo vai para a rua) para continuar a viver embora contagiando uns e outros; aumenta-se o tamanho do Estado e os impostos porque ninguém refila e se houver alguém em desacordo chama-se a polícia de choque (nome que ficou do antigo regime). Porque não pode haver quem faça oposição ou não esteja de acordo: não é democrático, é um caso de polícia.
